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Thelma Vilas Boas

Thelma Vilas Boas

Thelma Vilas Boas, 1967, São Paulo [SP]. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. A artista estudou fotografia na Sir John Cass College em Londres, fez pós graduação em Cinema Documentário pela Fundação Getúlio Vargas e está finalizando a pós graduação em Arte e Filosofia na PUC RJ. Sua pesquisa se dá no campo das humanidades e suas realizações acontecem como a condição humana: transita por diferentes modos de operação sem exatidão e com larga margem de fluxos. Seus trabalhos são desenhos, fotografias, objetos, filmes, esculturas, apropriações e textos que se relacionam com as complexidades do pensamento e da produção de conhecimento humano.

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Div Force

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Teste de Visão II

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Narrativa Imaginativa “O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não o sei.” (Confissões – Agostinho, Livro XI) Para nomear as coisas do mundo, Thelma Vilas Boas cria uma narrativa visual cujo discurso conceitual, suas alegorias e metáforas operam em meios distintos, em diversos suportes que de alguma forma estão ancorados no sempre intricado trânsito entre a nossa percepção, imaginação e memória. A artista apresenta um repertório visual e literário em diálogo entre meios, categorias, gêneros e linguagens. Fotografia, cinema, vídeo, instalações, escrita, objetos, esculturas visuais e sonoras se entrelaçam para criar narrativas na qual o tempo materializa-se tornando-se imagem, som e movimento, ou todos ao mesmo tempo. Thelma dá corpo a um território no qual a própria linguagem se [des]revela, que é seu espaço de pesquisa, de perguntas e respostas. Onde a transição é tão importante quanto a [im]permanência. A paisagem e a passagem, a pergunta e a resposta, a cidade, o homem, a máquina e o corpo, a solidão, o coletivo, a nostalgia, o cotidiano, e alguns avessos da vida são transmutados em belezas, arrebatamentos em sua obra. O que resta, então, são instantes que não tem duração. A geografia para se imaginar, a Hollywood tropicalizada no morro carioca-californiano, a tinta azul de centenas de canetas PILOT que escorre e transborda de uma jarra; a escrita enxuta, coloquial e a outra, contínua e rebuscada, rascunhada, sobreposta em linhas que formam um grande palimpsesto visual proustiano. Fraturas do tempo, da paisagem, fissuras na passagem. Intervalos na linguagem e no tempo, aquele que requer do espectador, do observador um tempo para ficar quieto no seu Kant. Parafraseando o mesmo em Crítica da Razão Pura, me refiro a esse tempo como uma categoria do pensamento pela qual acessamos os fenômenos. Internos e externos. Onde somos atravessados, confrontados e deslocados por eles, os fenômenos, e por ele, o tempo. Thelma se apropria desses tempos, imagens, cenas, momentos do cotidiano e objetos destituindo-os de suas funções originais, lhes dando novos significados, ou melhor lançando novas perguntas cujas respostas dependem de quem quer ver ou ouvir a pergunta. Sua obra opera em um paradoxo no qual há uma troca simbólica que legitima fronteiras, espaços, e que sempre vai depender do ponto de vista do observador. Nesse processo, seus trabalhos em diversos meios se tornam espaços expandidos que servem de suporte para a mediação simbólica que a artista estabelece entre o bidimensional e o tridimensional, entre o público e o privado, entre a passagem e a paisagem. A artista compõe, assim, um artesanato sutil de palavras, imagens, sons e matérias que transitam entre meios e fins, entre a descrição [sub]o[bjetiva] do filósofo e a escrita visual e poética da artista. Entre o modo como vê as coisas, o mundo; mas, mais importante, como o apresenta mais do que o representa. Em sua busca, sua investigação a cerca do tempo, Thelma Vilas Boas nos oferece um admirável novo mundo no qual a existência é mais autêntica e humana. Jurandy Valença