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Teresa Berlinck

Teresa Berlinck

Teresa Berlinck (SP, 1962). Vive e trabalha em São Paulo. Artista plástica, trabalha com sistemas de referência, desordenando narrativas e construindo associações entre memória e história. Transita entre desenho, escultura, instalação, livro, performance. Graduada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, São Paulo (1999); Mestrado em Produção, Teoria e Crítica em Artes Visuais, Faculdade Santa Marcelina - FASM, São Paulo (2006). Iniciou sua participação em exposições e mostras de arte na década de 1980. No mesmo período participou como cantora, performer e cenógrafa na Banda Performática de José Roberto Aguilar e como cantora na banda Garotas do Centro. Em 1980-90 participou de projetos de artes visuais, exposições e trabalhou com cenografia de cinema. Entre 1990 e 2006 participou de exposições individuais e coletivas em galerias como Galeria Millan, SP e Galeria Vermelho, SP e espaços culturais como SESC SP, Museu Murillo La Grecca Recife, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba. Nesse período, realizou trabalhos de coordenação de mostras coletivas e projetos colaborativos de exposições, por meio do grupo de arte Bola de Fogo, que coordenou em parceria com Rosângela Dorazio. Desde 1999, ministra aulas de arte e de desenho em seu ateliê, museus, escolas e centros culturais. Segue desenvolvendo seu trabalho artístico em diferentes plataformas e meios, em obras colaborativas e individualmente.

Sem título, Cangaço (série Livro Aberto), 2010

Sem título, Cangaço (série Livro Aberto), 2010
R$2.600,00

Sem título, Guerreiro (série Livro Aberto), 2010

Sem título, Guerreiro (série Livro Aberto), 2010
R$2.600,00

Sem título, Life Magazine (série Livro Aberto), 2010

Sem título, Life Magazine (série Livro Aberto), 2010
R$2.600,00

Sem título, Tábuas (série Eldorado e Noite Americana), 2011-12

Sem título, Tábuas (série Eldorado e Noite Americana), 2011-12
R$3.500,00

Sem título, Machado (série Eldorado e Noite Americana), 2011-12

Sem título, Machado (série Eldorado e Noite Americana), 2011-12
R$3.500,00

Sem título, Avião (série Eldorado e Noite Americana), 2011-12

Sem título, Avião (série Eldorado e Noite Americana), 2011-12
R$3.500,00

Rio de Janeiro. Magic Square Chácara do Céu (série Desenhos de  Viagem), 2013

Rio de Janeiro. Magic Square Chácara do Céu (série Desenhos de Viagem), 2013
R$2.600,00

Buda Chacras (Série 21 Budas), 1998

Buda Chacras (Série 21 Budas), 1998
R$800,00

Buda Disco (Série 21 Budas), 1998

Buda Disco (Série 21 Budas), 1998
R$800,00

Buda Egito (Série 21 Budas), 1998

Buda Egito (Série 21 Budas), 1998
R$800,00

Buda Nossa Senhora (Série 21 Budas), 1998

Buda Nossa Senhora (Série 21 Budas), 1998
R$800,00

Buda Pérola (Série 21 Budas), 1998

Buda Pérola (Série 21 Budas), 1998
R$800,00

Buda Dourado, 1998

Buda Dourado, 1998
R$3.200,00

Buda Nagô, 1998

Buda Nagô, 1998
R$3.200,00

Buda Pedra, 1998

Buda Pedra, 1998
R$3.200,00

Paisagem, 2015

Paisagem, 2015
R$2.600,00

A desenhista, 2014

A desenhista, 2014
R$2.300,00

Sem título, 2014

Sem título, 2014
R$2.300,00

Sem título #1, 2014

Sem título #1, 2014
R$2.300,00

Sem título #2, 2014

Sem título #2, 2014
R$2.300,00

O desenhista, 2014

O desenhista, 2014
R$1.700,00

Conheça mais...

Sobre a série DESENHOS de VIAGEM 2013.
A série Desenhos de Viagem, 2013 é constituída por desenhos de lugares visitados pela artista, feitos em páginas de livros sobre esses mesmos lugares.

Sobre a série Eldorado e Noite Americana, 2011-12.
Páginas de livros com desenhos elaborados a partir de Goya e de Hokusai se relacionam com cenas do filme Iracema, uma transa amazônica, de Jorge Bodanzky.
A série foi constituída como uma reedição de livros que pertencem a uma biblioteca herdada, formada por títulos de sociologia, publicados até os anos 1970. Cadernos foram descosturados e desmontados; manchas de texto foram veladas com tinta azul e amarela e receberam desenhos inspirados em Goya e Hokusai. As páginas foram então articuladas a desenhos de fotogramas do filme Iracema, uma transa amazônica (1976), de Jorge Bodanzky, feitos com grafite e pirógrafo. Ao reorganizar visualmente essas imagens o trabalho lança perguntas sobre identidade, memória e civilização.

Sobre colecionadores e revolucionários. Ana Luisa Lima, 2012.
“(...) um homme de lettres cujo lar era uma biblioteca que fora montada com extremo cuidado, mas de modo algum entendida como instrumento de trabalho; consistia em tesouros cujo valor, como frequentemente repetia Benjamin, era demonstrado pelo fato de que não os lera (...) Como o revolucionário, o colecionador ‘sonha com o seu caminho não só para um mundo remoto ou passado, mas ao mesmo tempo para um mundo melhor onde certamente as pessoas estão providas do que precisam como no mundo cotidiano, mas onde as coisas estão liberadas do trabalho humilhante da utilidade’ (Schriften, vol. I, p. 416). O colecionar é a redenção das coisas que complementaria a redenção do homem.”
Hannah Arendt sobre Walter Benjamin em Homens em tempos sombrios

21 Budas, 1998.
Instalação composta por 21 peças de gesso moldadas a partir da mesma matriz, com acabamentos diferentes, representando figuras de buda sentadas em círculo. A roda de imagens em pose de meditação homenageia a escultura sacra e o trabalho manual, relacionando a atividade do artífice ao labor monástico.

Sobre a série Livro Aberto, 2010.
Trabalho desenvolvido a partir de uma biblioteca herdada, composta de livros de sociologia e assuntos afins publicados até a década de 1970, e de uma coleção de edições especiais de cartuns dos anos 1950 publicados na revista The New Yorker.
A série de desenhos pode ser comparada a uma reedição, executada a partir do procedimento de descosturar, desmontar e reconfigurar cadernos e folhas desses livros.
O processo todo se dá como uma investigação sobre a História e como um jogo de perguntas e respostas sobre identidade e memória.
Texto da crítica de arte e curadora Ana Luisa Lima sobre as séries Eldorado e Noite Americana, 2011-12 e Livro Aberto, 2010:

Estou certa que, de todos nós, meu irmão mais velho foi o que soube levar, desde cedo, uma vida mais rica. Enquanto corríamos de um lado para outro atrás de uma bola ou em qualquer outra brincadeira que levasse o corpo à exaustão, meu irmão estava no aconchego do seu quarto vivendo toda sorte de aventuras. Colecionador nato, seu mundo era repleto de revistas sobre música e cinema, uma quantidade imensa de LPs (e depois vieram os CDs), fitas de videocassete (e depois os DVDs), dezenas e dezenas de pequeninos bonecos (os que me lembro eram playmobil e comandos em ação) e uma incrível seleção de HQs.
Na minha correria de criança (naquela época, até os 14 anos éramos mesmo ainda crianças), jamais entendi sua predileção pela quietude. Por trás de seus olhos verde-azuis havia existências inteiras das quais a pouquíssimas tínhamos acesso. Um dia, com minha curiosidade de irmã mais nova, entrei no seu quarto e me deparei com um mundo inacreditável. Sobre as prateleiras, ele havia criado cenas cinematográficas com seus bonecos. Pendurados por linhas de costura, os bonecos flutuavam, como que alçados violentamente pelas bombas de algodão saídas dos tanques de guerra.
Um mundo à parte, contudo, aprendi folheando seus mangás. A delicadeza dos traços daqueles austeros samurais me intrigava as entranhas. Nunca me dispus a ler “como se deve” aquelas HQs. Jamais me impus dedicar-me ao que estava escrito. Minha leitura era completamente imagética. De trás para frente ou de frente para trás, eu lia minhas próprias histórias dentro daquelas histórias.
Herdeira de uma biblioteca inteira, Teresa se viu de posse de tesouros. Livros não necessariamente para serem lidos, mas apreciados em toda sua constituição. Assim, se permitiu a liberalidade de desfazê-los de sua utilidade e imprimir-lhes a possibilidade de novos modos de leitura.
Páginas dos livros saíram de suas encadernações originais, mas conservam o charme de suas dobraduras. As cores por cima das páginas, ora são como velatura, ora são novos verbos de uma sintaxe visual muito sofisticada.
O “Livro aberto” de Teresa, poderia se chamar o livro dos livros, ou ainda, biblioteca. Porque todos os modos de leitura estão ali sugeridos e toda sorte de conteúdos podem ser ali vislumbrados. Como um convite a uma leitura impertinente, através da qual estamos livres de qualquer regra gramatical ou visual. Não há hierarquias entre substantivos e adjetivos, campos de cor ou traços. Do fim para o começo, do meio para o fim. Do modo como foi construído, o livro dos livros não impõe qualquer tipo de narrativa imperativa, muito pelo contrário, há mesmo um desejo de que seus fruidores possam ler suas histórias dentro das histórias.
Teresa alçou significantes de seus significados primeiros e generosamente os reorganizou de modo a devolver ao leitor o ato de criação originária. A cada mergulho, uma nova possibilidade de leitura. O nosso fôlego é que há de definir vírgulas e um ponto final.
Colecionadores e revolucionários, em seus mundos de quietude, me trouxeram, meu irmão e Teresa, o gosto raro do inapreensível, que não significa dizer que seja inalcançável.