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Del Pilar Sallum

Del Pilar Sallum

Del Pilar Sallum nasceu em São Paulo, vive e trabalha em Campinas. Artista visual e pesquisadora, atualmente é doutoranda em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas onde desenvolve pesquisa em poéticas visuais com ênfase na Fotografia. Mestre em Comunicação e Semiótica na área de Artes pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua em segmentos teóricos, direcionando a pesquisa para o processo de criação como ato comunicativo focalizado para o desenvolvimento e metodologia das poéticas visuais. Tem experiência nas artes visuais com ênfase no fotografia e vídeoarte, com enfoque nas relações corpo, imagem e desenho. Participa de diversas exposições nacionais e internacionais. Possui obras nos seguintes acervos públicos: Museu de Arte de Ribeirão Preto, Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, Museu de Arte de Brasília, State Museum Majdanek em Lublin na Polônia, Siena Art Institute em Siena na Itália, Atelier Presse Papier em Quebec-no Canadá e em Coleções particulares no Brasil e no Exterior. www.delpilarsallum.com

Desenhos Intrusivos #1 (Da série Contaminações)

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Desenhos Intrusivos #2 (Da série Contaminações)

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Desenhos Intrusivos #4 (Da série Contaminações)

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Desenhos Intrusivos #5 (Da série Contaminações)

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Desenhos Intrusivos #6 (Da série Contaminações)

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Desenhos Intrusivos #7 (Da série Contaminações)

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Desenhos Intrusivos #8 (Da série Contaminações)

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Conheça mais...

Existe um fio que não se rompe. Viver, tecer laços afetivos, espiralar o fio da memória para que a existência seja menos a ânsia de um constante porvir, e mais uma tessitura de muitos entretempos. O fio que em seu desenrolar perfaz a história sensível do tempo tramado com nossos desejos, com a busca de imagens que nos desenhem, com os símbolos que eregimos no torvelinho do tempo. Para tanto é preciso, mais que viver a vida, tecê-la. Tecer a vida implica em perceber, como nos mostra Del Pilar Sallum, que "existe um fio que não se rompe" no nosso âmago, no fogo-fátuo da nossa existência no Cosmos. O fio conduzido pelas mãos e sensibilidade de Del Pilar têm o dom de conjugar contrários, unir díspares, amalgamar naturezas diversas como numa ode à convivência e à dialética. O latão se conforma na semente: ao mesmo tempo em que sensualmente as veste, também as esteriliza. Mas a vida é, em grande medida, a crença nos símbolos. E dessa comunhão de materiais surge, ao infinito, a contundência da forma que a tudo germina. Poética de paradoxos. Entre o perene - o escultórico - e a falência inexorável do organismo - a semente - reside a pulsação da vida, o fio que não se rompe. Na mitologia Grega, o fio de Ariadne guia Teseu para que ele consiga entrar e sair do labirinto, numa jornada interior de autoconhecimento. O minotauro que habita o labirinto, mais que um monstro, é na verdade metáfora dos medos, dúvidas e temores que nos assolam. Del Pilar percebe o prolongamento do fio de Ariadne nas dobraduras do "fluxo constante" do lençol da cama, nos soluços de seus "momentos descontínuos" e no "tempo imanente" de seus desenhos que ousam ocupar todos os espaços com voracidade. Quando a artista recupera as rendas das roupas de várias mulheres que a sucederam em sua linhagem familiar, constrói um labirinto de nostalgias e referências no qual encontrará um potente caminho de autoconhecimento. Percurso autorreferente do qual nos restam vestígios intensos mimetizados, e aqui universalizados, nessas imagens complexas e delicadas que fundem fotografias com desenho. Das rendas tecidas outrora, agora se justapõem linhas de um "desenho intrusivo" meticuloso, sedutor em seus descaminhos, obsessivo na sua criação impulsiva e expansiva. A renda, vertida em fotografias, se prolonga imaginariamente por meio dos desenhos até o tempo presente. Suas tramas não mais acompanham as regras de um manual de artesão. Ativadas a partir dos labirintos internos da artista, elas reivindicam seu tempo-espaço redimensionado por essa família-fio. Aquilo que não se rompe em nós segue, na poética, emitindo seus sinais alheio ao tempo cronológico que a tudo consome. Só as obras de arte podem tocar a ideia do sagrado e dar contornos, ainda que inapelavelmente imprecisos, aos nossos devaneios de eternidade. Eder Chiodetto/2014